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Freddie King – Fraseado Real

Freddie King – Fraseado Real

Umas das mais fortes influências de guitarristas como Eric Clapton e Stevie Ray Vaughan, Freddie King foi quase um ilustre desconhecido para muita gente.

Freddie King foi uma figura essencial de uma geração de guitarristas que praticamente escreveu toda a gramática fundamental do blues moderno. Seu fraseado – conhecido pelo termo “down home thumb picking”, que consistia em usar o polegar da mão direita para tocar, em vez da palheta – era limpo, preciso e excelente do ponto de vista técnico. A energia que emanava de sua música, aliada a sua técnica, inspirou lendários instrumentistas que deixaram sua marca na história, como Setvie Ray Vaughan, Mick Taylor e Eric Clapton, apenas para citar alguns.

Hoje, a sonoridade do guitarrista texano pode parecer meio batida, mas é preciso term em mente que, no final dos anos 60, King foi responsável por dar uma cara mais moderna ao blues, incorporando novos elementos que, até hoje, fazem parte do gênero.

Os caminhos do Blues Moderno

O jardim pós-guerra do blues florescia em Chicago no final da década de 40 e início dos anos 50, chegando ao público por intermédio de nomes como Jimmy Rogers, Muddy Waters, Howlin’ Wolf, Eddie Taylor e T-Bone Walker. Foram esses personagens que o jovem Freddie King (não, ele não é parente de Albert ou B.B. King), então com 16 anos de idade, encontrou ao se mudar para a cidade grande.

Assim como o estilo musical que corria em suas veias, Freddie King nasceu ao sul dos EUA, mais precisamente em Gilmer, no Texas, em 30 de setembro de 1934. Seu primeiro contato com o blues country veio por meio de sua mãe e de seu tio, que o iniciaram no violão aos seis anos de idade.

Seguindo o caminho da música, deixou sua terra natal e foi para Chicago, onde a convivência com o estilo recém-batizado de rythm n’ blues, tocado por guitarras elétricas, piano e bateria, contaminou-o e o fez desenvolver e cristalizar um estilo próprio. Uma passagem interessante aconteceu certa noite, quando entrou em um bar para assistir à performance de uma banda da qual fazia parte o consagrado guitarrista Howlin’ Wolf. King apostou com seus amigos que sentaria no palco e tocaria uma música com o grupo. Ganhou a aposta. Porém, o dono do bar, ao perceber que ele não tinha idade suficiente para frequentar o local, mandou que saísse dali. Wolf interveio dizendo que o garoto estava com ele. Impressionado com seu talento, o renomado bluesman disse: “você segura a guitarra como um veterano. O Senhor com certeza te colocou aqui para tocar o blues”. Nasceu ali uma grande amizade, que colocou o jovem Freddie em contato com a nata do gênero de Chicago.

Ao longo de sua trajetória, passou por diversos selos musicais. Seu primeiro single de sucesso foi lançado em 1960 e vinha com as faixas “You’ve Got to Love Her With Feeling” e “Hide Away”. Esta última teve um sucesso maior, tornando-se um marco na carreira de King. Para se ter ideia, na década de 60, essa canção se tornou praticamente obrigatória no repertório de bandas de blues e rock que tocavam em bares pela Amárica do Norte e Inglaterra. Foram os primeiros passos dados na direção do que viria a ser chamado de Blues Rock.

Em 1961, veio o primeiro disco pela King Records: Freddie King Sings, seguido do mesmo ano por Let’s Hide Away and Dance Away with Freddie King, totalmente instrumental. Neste álbum, muitas músicas marcantes, como “San Ho Zai” (San José, sacaram?), “The Stumble” e “I’m Tored Down”. Continuou com a mesma gravadora até 1968, ano em que trocou o selo pela Atlantic/Gotillion Records, lançando os discos Freddie King is a Blues Master e My Feeking for the Blues. Apesar de, até então, King não ter lançado mais nenhum hit, seus trabalhos tiveram uma vendagem expressiva, e o guitarrista continuou exercendo forte influência no cenário do blues. Prova disso é o sucesso que sua turnê pela Inglaterra obteve:  que estava agendado para ser um mês de apresentações se transformaram em três. Uma nova geração de guitarristas que vinha surgindo – da qual Eric Clapton, que mais tarde viria a dividir o palco com seu herói, e Mick Taylor faziam parte – trazia o estilo de King impregnado em suas obras.

Trocou de gravadora mais uma vez na década de 70. Agora com a Shelter Records, lançou Getting Ready – disco que renovou o interesse do público por sua música – , Texas Cannoball e Woman Across the River. Os trabalhos venderam bem e seus concertos também faziam sucesso entre o público de blues e rock. Em 1974, com a RSO, lançou Burglar, e passou pela América, Europa e Austrália en turnê. Em 1975, grava ” Larger than Life”.

Os vícios – jogo, bebida e mulheres – que adquiriu nas noites de Chicago acompanharam-no por um bom período de sua vida. Uma coisa curiosa sobre o bluesman é que costumava insistir para que sua banda jogasse pôquer com ele durante a noite toda. Dessa forma, podia recuperar o cachê que havia pagado aos integrantes. O amor pela cidade quase o levou a arruinar seu casamento. Certa vez, sua mulher, ao perceber que o marido passava mito tempo em bares jogando com os amigos, decidiu mudar-se de volta para o Texas, em Dallas. Freddie King abandonou a boemia e foi se unir à família. Essa mudança foi benéfica para ele, que passou a se dedicar mais à música.

Os anos de estrada começaram a pesar sobre o herói do blues. Logo sua saúde foi afetada. Desenvolveu uma úlcera, mas continuou a tocar. O guitarrista seguia seu rumo determinado, como que tivesse de cumprir uma missão. Em dezembro de 1976, uma das figuras precursoras do R&B de Chicago morreu, deixando um legado na história do gênero que amou.

O blues libertava-se de seu tom de lamento quando Freddie King empunhava sua guitarra. A admiração que sentia pela música não era abafada por nenhum sentimento melancólico, inerente à origem no gênero, em um passado marcado pela escravidão dos negros americanos. Capturado pela onda do nascente blues rock, suas composições se tornaram sinônimo de ruptura e renovação.

 

 

Artigo publicado originalmente na revista Cover Guitarra 126 junho/2005 – texto por Alex Vestri

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