Entrevista com Douglas Jen, do SupreMa

Douglas Jen, guitarrista do SupreMa, tocou com Marty Friedman em sua turnê pelo Brasil.
Douglas Jen, guitarrista do SupreMa, tocou com Marty Friedman em sua turnê pelo Brasil.

 

Fizemos uma entrevista exclusiva com o guitarrista Douglas Jen, da banda SupreMa, falando sobre como foi tocar com Marty Friedman em sua turnê pelo Brasil, além de também conversar sobre as novidades de sua carreira solo e o lançamento do próximo CD da banda. Confira!

 

Em primeiro lugar, parabéns pela oportunidade de se apresentar junto com um dos ícones da guitarra Marty Friedman. Como foi essa experiência para você?

Douglas Jen: Olá internautas do My Guitar! Nem há como descrever sobre esta turnê, foi a minha décima tour e mesmo já tendo rodado muito por este Brasil, esta tour com o Marty foi especial, estar na estrada com um ícone mundial é algo que te acrescenta muito como músico, como artista, como profissional! Além de toda a bagagem musical, claro, poder conversar com ele, assistir seus workshops e entender um pouco mais de como ele pensa compondo, criando e também interpretando suas músicas, é algo fantástico! Para ser sincero eu nunca fui aquele cara que era um fã veemente do trabalho do Marty, por não conhecer de perto de fato, eu só conhecia alguns sons da época do Megadeth e algo do Cacophony. Mas uma coisa que tenho como guitarrista é que os ícones mundiais sempre tem algo a te ensinar, seja o estilo que for, eles sempre tem alguma bagagem a te trazer e com esta cabeça aberta pude adquirir muita experiência e também passar bons momentos na estrada com ele e a crew brasileira.

Você considera que essa turnê junto ao Marty Firedman vai ajudar na divulgação da sua banda, SupreMa?

Douglas Jen: Uma coisa sempre liga à outra, é bem difícil você pensar no Douglas Jen sem pensar no SupreMa, e vice-versa. Fui o fundador da banda, estive presente em todas as realizações, e mesmo esta sendo a minha primeira tour solo eu toquei sons do SupreMa, pois muita gente me pedia para tocar ao vivo fielmente as músicas do disco, e quem não conhecia o SupreMa acabou conhecendo. Digamos que pude demonstrar o que tem no “Traumatic Scenes” e pude mostrar um lado solo do guitarrista Douglas Jen, foi o primeiro compromisso da minha carreira solo e espero em breve poder fazer uma outra tour tocando meu primeiro disco.

Nos eventos você comentou que a banda está gravando seu segundo trabalho de estúdio. Como está esse processo e quando está previsto o lançamento?

Douglas Jen: Em 2014 a banda fez uma pausa, além da Copa do Mundo atrapalhar demais a rota de shows, tivemos problemas com a formação, doença e problemas familiares, várias coisas extra-banda que atrapalharam demais o caminhar do SupreMa. Precisamos deste tempo para organizar a casa, mas não ficamos parados, fizemos vários ensaios, apresentei músicas novas à banda e aos novos membros, e demos continuidade à composição do disco. Virando o ano de 2015, veio a tour com o Marty e tivemos que pausar um pouco a composição do disco. A galera também estava na estrada e comprometida com outras coisas, o batera em tour e o vocal ficou algumas semanas na Europa. É difícil conciliar a agenda de todos, mas temos conseguido muito bem, de certa forma. Mesmo com algumas dificuldades, já apresentei 7 músicas, produzimos uma delas e em breve devemos lançar um single. Em paralelo, continuam os trabalhos de composição, nestes próximos meses devemos finalizar 12 ou 13 músicas e escolher 10 para o disco, o som novo está matador, estamos em pleno vapor, está na hora de voltar sem medo de mostrar um som moderno que temos preparado!

Qual sua opinião sobre a cena metal do Brasil?

Douglas Jen: Pode parecer controverso ao que muita gente diz, mas eu vejo uma cena boa e que tem espaço para todos. Claro que neste momento de crise no país as coisas não estão às mil maravilhas, mas também não tem muito do que reclamar. Desde a banda iniciante até o mainstream tem espaço. O Brasil tem ótimas bandas, tem ótimos fests, tem ótimas casas, tem público e a cena está se movimentando. Claro que temos um público menor do que 10 anos atrás indo aos shows, o mercado se modificou, mas quem se adaptou está conseguindo fazer coisas muito legais, quem cresceu junto com a tecnologia e se adaptou à “nova forma de fazer música”, tem conseguido sobreviver neste mar onde várias bandas param e desistem. Sempre vai ter o produtor picareta que faz tudo errado e sacaneira bandas, assim como vai ter banda ruim fazendo coisa errada, como vai ter o fã chato ou o pirateiro, o pessoal tem que se adaptar ao invés de só reclamar na internet, à partir do momento que você se adapta ao invés de simplesmente reclamar, ai sim os frutos começam a surgir. Com o SupreMa não tenho do que reclamar, fizemos bons shows, tocamos em bons fests, temos fãs que estão sempre ao nosso lado, temos uma equipe ótima e uma empresa que cuida da carreira da banda. Não vemos a hora da nossa reestréia no palco, e depois cair na estrada novamente!

O cenário guitarrístico brasileiro ficou ensandecido com a entrada do Kiko Loureiro no Megadeth. Qual sua opinião? Você acha que vai realmente ajudar a divulgar melhor o trabalho dos excelentes guitarristas que temos no país, incluindo você?

Douglas Jen: O Kiko é um cara fantástico, em 2013 tive o prazer de fazer uma tour com ele, é um ótimo profissional e um ótimo guitarrista, foi totalmente merecida esta entrada no Megadeth. Não sei se isso pode afetar diretamente o mercado brasileiro, o Sepultura é quem é e nem por isso todas as bandas de thrash do Brasil tem seu lugar ao sol garantido no exterior, isso só acontece com quem conseguiu por seus méritos próprios, e que foi realmente reconhecido pelo que fez. Ou seja, é uma conquista do Kiko, e claro, dos brasileiros, mas de fato isso não deve alterar muito o mercado nacional para outras bandas. O Gus G é guitarrista do Ozzy há anos, e nem por isso tenho ouvido falar mais dos guitarristas gregos.

Me fale sobre os equipamentos que você usa em shows e nas gravações do SupreMa.

Douglas Jen: Atualmente tenho usado o Peavey 6505, um cabeçote fantástico que levei na tour com o Marty Friedman, e que me surpreendeu a cada noite! Fiz umas gravações em estúdio com ele também, me soou fantástico, sem palavras! Não preciso de pedais empurrando o amp, então o máximo que usei nesta tour foi um Delay e um Equalizer de 10 bandas no loop.

Uso duas guitarras Ledur, uma de 6 e uma de 7 cordas, ambas inteiriças e com ponte fixa, pois utilizo cordas .011 e toco bem pesado, preciso de estabilidade na ponte e na afinação. Uso um monitoramente da Power Click, o MX 4x1s, uma espécie de mesinha com 4 canais onde eu mixo o som que vai para o meu In Ear, geralmente coloco o som da guitarra, metrônomo e o retorno do palco tudo no meu Power Click, equalizo tudo separado e inclusive com pans diferentes. Os equipamentos da Power Click me dão recursos bem precisos do que necessito no meu ouvido para gravar e tocar ao vivo.

Quais os seus projetos futuros? E os projetos futuros da banda?

Douglas Jen: Estou lançando agora uma série de Masterclass Online, o pessoal me pedia muito para voltar a dar aulas e estou tentando beneficiar o maior número de pessoas possíveis, e a melhor forma de fazer isso foi escolhendo um sistema online onde eu possa atender estudantes de todo o Brasil ao mesmo tempo em um sistema de vídeo-conferência.  Utilizo um software de alta performance especializado para este tipo de reunião, e depois os alunos tem acesso ao vídeo para assistir quantas vezes quiser. O primeiro que farei será no dia 26 de agosto e será gratuito, o tema é “Dominando o braço da guitarra”, quem se interessar em assistir masterclass_jengratuitamente, ainda vai levar o E-Book com os exercícios!

Para se inscrever:

https://join.onstreammedia.com/register/73307889/gnrgzfv

Em paralelo, logo mais devemos lançar o single do SupreMa e também lançarei vídeos de live sessions que filmei recentemente, fiquem ligados www.douglasjen.com e www.supremametal.com .

O que você recomenda para quem está começando agora a tocar guitarra e que deseja se tornar um profissional da música?

Douglas Jen: Não tenha pressa, e tenha persistência. Às vezes você terá que dar passos e se desprender de coisas para que você possa ir à diante, o medo não pode fazer parte do seu dia-dia, tenha sempre o olho no foco e saiba que vem muito trabalho pela frente. Não, não será fácil… sim, será bem recompensador!

Obrigado pela entrevista. Por favor, deixe uma mensagem final para os leitores do My Guitar.

Douglas Jen: Eu que agradeço pelo espaço, espero que todos tenham curtido meus shows e workshops com o Marty Friedman, estou preparando muitas novidades para este ano! Os vejo na estrada e pela web!

 

Douglas Jen durante viagem da turnê com Marty Friedman
Douglas Jen durante viagem da turnê com Marty Friedman

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