Dr. Sin – Entrevista exclusiva com Andria Busic e Edu Ardanuy

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Um das grandes bandas da história do hard/heavy nacional, o DR. SIN está na estrada há mais de 20 anos, com uma formação sólida e intacta como uma rocha, sem baixas, formada pelos irmãos Andria e Ivan Busic, e por Edu Ardanuy. E mais uma vez os caras voltam com tudo com mais um discaço, mantendo todas as características já conhecidas de sua sonoridade, e trazendo um peso extra, que deverá agradar os fãs de todas as fases de sua carreira (se você não leu a resenha do álbum “Intactus”, clique aqui). Conversamos com Andria e Edu, que nos contam um pouco sobre essa atual fase da banda, os planos para o futuro, o cenário da música em geral, projetos e outros assuntos. Confiram:

 

Por Junior Frascá e Diego Pena

 

1 – Vocês já estão na estrada há 23 anos. O que vocês sentem que mudou no cenário nacional desde que vocês começaram com o DR. SIN até os dias de hoje? Em especial, a forma de consumir música mudou muito, o que vocês pensam a respeito, e o que de bom e ruim as novas tecnologias acarretam para uma banda?

Andria: Muita coisa mudou, principalmente por culpa da pirataria desenfreada.  Por outro lado, antes só se conseguia divulgação e boa gravação quem estava numa gravadora. Hoje você consegue uma divulgação muito boa na internet e de graça. E quanto à gravação, quase todo mundo tem algum estúdio, depende muito de quem está gravando e mixando para ter um trabalho satisfatório. Antes voce ouvia um saudoso LP e curtia o som olhando o encarte que sempre era fantástico. Enfim, era um momento muito especial ouvir um disco. Hoje com esse negócio de fazer download gratuito, legalmente ou não, ficou tão banal que quase ninguém escuta tudo o que baixa e isso é muito triste.

 

2 – Falem-nos um pouco sobre o título do novo álbum, e se há alguma relação do mesmo com a capa e alguma faixa em especial do disco.

Andria: O CD tem esse título principalmente pelo fato da banda estar intacta, desde o começo com a mesma formação, o que é muito raro.  São muito poucas as bandas que conseguem ficar com a mesma formação, como o Rush que faz 40 anos e mesmo assim sendo o primeiro disco com outro batera. A capa foi feita pelo Gustavo Sazes, que tinha todas as informações do que queríamos e trabalhou em cima delas.

 

3 – Percebemos também que o disco, embora mantenha intactas as características da banda, tem um peso ainda bem evidente, com alguns riffs mais agressivos e com afinação baixa, como no faixa “We’re Not Alone”. Por outro lado, “The Great Houdini” e “Set Me Free” são bem mais trabalhadas e com um toque progressivo. Ao comporem um trabalho, vocês sempre buscam deixá-lo o mais variado possível, ou é algo que surge naturalmente durante o processo de criação?

Andria: Tudo que fizemos em termos de composição foi como sempre, surgiu  muito naturalmente. E claro, que sempre acabamos inserindo algo de novo, pois acaba saindo com a vibe na qual estamos. Brincamos bastante com afinações mais graves e como você mesmo citou muitas partes que levam as músicas para um lado mais progressivo. Porém, nada que fosse algo que tivéssemos pensado anteriormente. Foi tudo saindo muito espontaneamente.

 

4 – E quais são os planos da banda para o futuro próximo? Vocês tem planos de lançar um DVD?

Andria: Divulgar o máximo possível o novo CD, fazermos muitos shows e claro gravarmos um DVD, que na verdade, já estava nos planos desde que a banda fez 20 anos. Prometemos que esse ano gravaremos e será algo muito especial.

 

5 – A faixa “Saturday Night” é um ótimo exemplo de música pra se ouvir tomando cerveja antes de ir pra balada. Como foi o processo de composição dessa faixa em especial, considerando esse clima de “sexo, drogas e rock n’ roll”?

Andria: A parte instrumental foi feita antes, aliás como em todas as faixas de todos os álbuns do Dr Sin. Ela ficou com um clima tão rock’n’ roll party que a letra não poderia ser outra.

 

6 – Andria, também percebemos que houve uma grande evolução sua nas linhas vocais nos últimos discos. É algo que você vem se dedicando cada vez mais?

Andria: Primeiramente muito obrigado, mas não é nada que eu tenha parado para estudar. Acho que com o tempo eu fui um pouco mais para o lado de pensar em ser mais vocalista do que baixista, porque antes com certeza eu me dedicava muito mais ao baixo. Então assumir o lado mais vocalista e também o amadurecimento musical me levaram naturalmente a isso.

 

7 – E como produtor, como tem sido “produzir” sua própria banda? Você acha que atingiu a melhor qualidade de áudio da banda até o momento em “Intactus”?

Andria: Creio que produzir o nosso trabalho fica um pouco mais fácil, pois já sabemos exatamente o que queremos, não temos que ficar tentando imaginar ou entender o que o cliente quer. Já quanto a atingir o máximo é muito difícil, pois nunca estamos estamos totalmente satisfeitos. É como aquela brincadeira: nós nunca acabamos uma mixagem e sim a abandonamos. É mais ou menos assim, se deixassem eu ficaria mixando talvez mais um ano. Mas acho que ficou um dos meus melhores trabalhos em termos de produção, mix e master.

 

8 – Edu, você, mesmo depois de tanto tempo de carreira como músico profissional e professor, ainda estuda novas técnicas e métodos de guitarra? Como você faz e quais exercícios você pratica para manter sua técnica sempre em forma?

Edu: Sempre estou procurando coisas novas, nem sempre encontro mas continuo procurando, em uma vida não dá pra aprender tudo no universo da música ou da guitarra! Se você se acomoda acaba ficando irrelevante e aí é hora de parar. Não tenho um padrão de estudo, se tenho dificuldades técnicas em alguma parte de uma música, pratico aquilo até resolver. Costumo estudar harmonia com frequência, novos acordes novas cadências e isso pode ajudar muito na improvisação quando entendemos a relação entre acordes e escalas. Já composição, isso ajuda a encontrar novos riffs. A composição também deve ser exercitada, pois quando tentamos compor com frequência a composição atinge um nível mais maduro e sofisticado, mas o que mais exercito com certeza é a fluência na improvisação. Toco sobre playbacks pré gravados ou gravados instantaneamente no meu pedal de loop  e fico horas improvisando a procura de novas ideias.

 

9 – Quais são suas principais fontes de influência hoje em dia?

Edu: Scott Henderson, Alan Holdsworth, Steve Vai, Steve Morse, Eric Johnson, Greg Howe, Jeff Beck etc.

 

10 – Você está usando o seu novo modelo signature de guitarra. Conte-nos como esse instrumento afeta o seu som e a sua maneira de tocar, e também comente um pouco sobre o equipamento que você usou nesse último trabalho.

Edu: Como vocês devem saber, uso guitarras Tagima e há muito tempo tenho meus modelos signature (Tagima E1 e E2). As mudanças mais significativas que ocorreram através de todos esses anos foram na cor e captadores. Hoje estou usando pickups da Music Maker EA pro meu modelo signature, de fábrica elas vem com Seymour Duncan. Esse modelo é feito especificamente para mim: é muito confortável, afina bem e tem um ótimo timbre, que mais posso querer? Uso amplificadores Blackstar Serie One 200 caixas 4X12 com falantes Celestion, pedais da Zoom, Fire, TC Electronic, EFR, cabos da Tecniforte, que são excelentes por sinal, cordas Ernie Ball Super Slinky 09/42 e palhetas Lost Dog. Usei esse equipamento para as gravações do ultimo CD do Dr. Sin “Intactus” e também alguns plugins.

 

11 – Edu, Além do Dr Sin, você está com algum outro projeto paralelo?

Edu: Tenho um álbum solo instrumental que já está antigo e pretendo gravar um novo e fazer shows com esse trabalho paralelo. Também estou desenvolvendo um  curso de guitarra no meu site (www.eduardanuy.com.br) sobre improvisação que vai ser lançado esse ano em uma plataforma bem moderna e dinâmica com muito conteúdo.

 

12 – Você é um dos principais exemplos de guitarristas que usam a técnica apurada a favor da música, construindo sempre melodias marcantes e sem “ficar fritando” desnecessariamente. Qual sua mensagem para os garotos que estão começando a tocar guitarra agora e que acham que para ser um bom guitarrista basta apenas tocar “mil notas por segundo”?

Edu: Acho que tudo é uma questão de maturidade. Se o cara frita, mas tem conteúdo no seu fraseado, ótimo! O problema é quando se toca 2 milhões de notas e não diz nada, aí coitado de quem estiver escutando (risos)… Acho que um solo de guitarra, ou de qualquer outro instrumento melódico, é como uma história ou um texto: tem que  ter começo, meio e fim, saber escolher as palavras, saber pontuar, se não fica sem sentido algum! Mas a tendência é que quando o músico amadurece ele percebe isso naturalmente, se não ele vai se tornar um adulto tocando como criança.

 

13 – Obrigado pela entrevista. O espaço é seu para suas considerações finais a nossos leitores.

Edu: Queria agradecer a todos vocês da My Guitar pelo convite e para os fãs do Dr. Sin, fiquem ligados no novo CD “Intactus” e nos shows da nova turnê! E pros guitarristas de plantão, que assim como eu não se cansam de aprender, fiquem ligados no meu site que logo mais estarei lançando um curso com muitas horas de conteúdo em vídeo sobre improvisação. Aquele abraço!!!

 

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