Banda Burn – você ainda vai ouvir falar muito deles

BURN integrantes
Essa molecada ainda vai dar o que falar…

 

Por Diego Pena

 

Em um país dominado pela cultura do “abundamento” cada vez mais precoce, com meninas de menos de 10 anos dançando o maldito “quadradinho de 8”, e crianças querendo ficar famosas a qualquer custo, se espelhando em ex-BBB’s e cantores de funk-pornô, eis que surge mais uma luz no fim do túnel.

 

Estou falando da banda Burn, de Monte Alto/SP. Seria apenas mais uma banda de rock de uma cidade do interior, com fortes influências de grandes mestres como Deep Purple, Iron Maiden, Metallica, Dio, Black Sabbath, entre outros, mas com alguns diferenciais: a banda tem 2 guitarristas femininas, e o baterista tem 10 anos (!!). Isso mesmo, o menino quase não alcança os pedais da bateria e já toca melhor que muito marmanjo de 30 anos por aí (pude provar isso pessoalmente algumas vezes, e vocês também vão poder ver ao final da entrevista). Mais uma prova que tamanho não é documento e de que cada vez mais as mulheres estão se apaixonando pelas 6 cordas e empunhando seus instrumentos com muita dignidade e musicalidade (aqui no Brasil, a Lari Basílio talvez seja a expoente mais recente desse movimento de “guitar girls”).

 

É uma overdose de felicidade e alegria ver uma molecada tão nova, tão heterogênea, mas que mantém firmes e fortes a pegada e o estilo do bom e velho rock n’ roll, sem se deixarem levar por modinhas bregas e românticas sem conteúdo nenhum. Não dá para assistir a uma apresentação da banda Burn sem tirar o sorriso do rosto do começo ao fim, e ficar embasbacado com a habilidade musical de cada um dos integrantes. Além do baterista precoce de 10 anos, o baixista começou a tocar há apenas 10 meses (!!!). É muita gente boa junta em uma banda só.

 

Eu conversei  com a Ellen Calió, uma das guitarrista da banda, sobre como tudo começou e onde eles querem chegar. Veja abaixo se essa meninada tem ou não tem futuro. Mas antes da entrevista, conheça cada um dos integrantes:

 

Bateria – Vincenzo Zavati Nuciteli, 10 anos
Vocal e guitarra – Jéssica Di Falchi, 20 anos
Guitarra – Ellen Calió, 19 anos
Baixo – Rafael Dal Colletto Amado, 15 anos

 

Como surgiu a banda? Como se conheceram?

A banda surgiu a partir dos ensaios para uma apresentação do Instituto de Música Manhattan, de Monte Alto, do mestre Elias Oliveira. Eu, o Rafael e a Jéssica somos alunos e nos conhecemos através do Instituto. Na procura de um baterista para a apresentação, a Jéssica convidou o Vincenzo, pois já conhecia seu talento e sua habilidade.

 

Quais as influências da banda? Que bandas vocês ouvem normalmente?

As influências são Iron Maiden, Deep Purple e Metallica.
Vincenzo: Iron Maiden é o que eu mais ouço.
Rafael: Gosto de Foo Fighters e Metallica.
Ellen: Deep Purple e Iron Maiden.
Jéssica: Ouço muito Black Sabbath e Iron Maiden.

 

O que levou a banda a ter duas (ótimas) guitarristas? Como foi esse processo?

Após uma apresentação/formatura minha, a Jéssica me convidou para tocarmos juntas, porém por compromissos da faculdade acabamos tendo que adiar o projeto. Um ano depois surgiu outra oportunidade, uma apresentação do Instituto. Conseguimos conciliar nosso horário, nos juntamos e deu tudo certo. Logo depois já estávamos na banda.

 

Quem é (são) o maior incentivador da banda?

Nossos pais, amigos próximos e nossos professores de música.

 

O que seus pais acham sobre a banda?

Em geral todos apoiam e adoram, eles incentivam bastante e gostaram da iniciativa.

 

Voltando a falar sobre as guitarristas, o que os marmanjos acham? Já sofreram algum tipo de assédio mais “atrevido”?

Acreditamos que pelo fato de sermos mulheres guitarristas tem um diferencial, sem contar que a maioria do público do Rock é masculino também. Talvez por isso possa ocorrer algum tipo de assédio.

 

Como é ser uma banda com integrantes muito jovens e tocar em lugares para um público mais velho?

O público mais velho esteve mais próximo da época boa da música. A primeira impressão quando subimos no palco é a de que eles não colocam muita fé na gente, mas depois de tocarmos eles ficam impressionados e elogiam bastante e é sensacional essa identificação que eles têm com a gente.

 

Como é a escolha do repertório?

Primeiramente escolhemos músicas que já tocamos depois cada um vai sugerindo outras músicas.

 

Como foi a escolha do nome da banda?

Difícil! Demoramos meses. Até que em um ensaio fomos “obrigados” a decidir, já que iríamos para a nossa 2ª apresentação e ainda estávamos sem nome. A lista de nomes era um tanto grande e o escolhido foi BURN.

 

Todos ainda fazem aulas em seus respectivos instrumentos?

Sim, todos fazem.

 

Como é o entrosamento de duas meninas tocando guitarra? Como vocês dividem quem faz solo e quem faz base?

Damos preferência para músicas que contenham dois solos, porém quando não tem nós revezamos. Apostamos muito no lance das guitarras dobradas, esse entrosamento dá um diferencial muito bacana.

 

Vocês costumam ensaiar sozinhas para treinar a sincronia entre vocês?

Não, apenas nos ensaios da banda mesmo.

 

Há quanto tempo cada um dos integrantes toca seus respectivos instrumentos?

Vincenzo: “Com apenas 10 anos de idade, já toco há 8 anos.”
Rafael: 10 meses.
Ellen: 5 anos.
Jéssica: 11 anos.

 

Vocês pensam em criar material próprio?

Temos pouco tempo de banda e ainda não pensamos a respeito.

 

Qual o próximo passo de vocês?

Sermos uma banda de músicos profissionais.

 

Comentário My Guitar – nessa conversa é possível perceber que, apesar de jovens, já possuem uma certa experiência no estudo da música. E por ainda estarem dando os primeiros passos, o amadurecimento e a experiência que eles vão conseguir ao longo de suas apresentações tem tudo para fazerem da Burn uma das grandes revelações da cena rock n’ roll do interior de SP.

 

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Let’s Burn!

 

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Rafael – baixo
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Vincenzo – bateria
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Jéssica (esq.) – vocal e guitarra | Ellen (dir.) – guitarra

 

 

 

 

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