Marty Friedman em Araraquara/SP – 19/03/15

Marty Friedman durante apresentação em Araraquara/SP - Pensa num cara gente boa...
Marty Friedman durante apresentação em Araraquara/SP – Pensa num cara gente boa…

Por Diego Pena

Fotos: Samuel Barbizan

 

Marty Friedman está no Brasil neste mês de março para uma séria de workshows para divulgar seu mais novo álbum “Inferno” (em breve resenha aqui no site). Na última quinta-feira, 19/03, ele esteve em Araraquara/SP e o My Guitar teve a oportunidade de cobrir esse evento e trazer para vocês tudo o que aconteceu. A turnê do Marty Friedman no Brasil é uma realização da Furia Music, e o evento em Araraquara foi uma parceria com a Arte Nobre Eventos.

O evento contou com a abertura do guitarrista Douglas Jen, da banda Suprema. A Suprema é uma banda de metal de São Paulo, formada em 2004, e vai lançar até o final desse ano seu segundo álbum de estúdio. Às 20:30h Douglas subiu ao palco e começou a demonstrar toda sua técnica, tocando músicas de sua banda. Sua apresentação contou com músicas como “Nightmare”, “Fury and Rage” e terminou com um cover muito bem executado do Dream Theater com “Overture 1928” e “Strange Deja vu”. Entre uma música e outra, ele conversou simpaticamente com a plateia, respondendo a perguntas sobre seu equipamento, sobre sua banda, forma de tocar e compor.

De equipamento, Douglas usa um ampli Peavey 6505 (antigo 5150), com um pedal de delay Boss e um equalizador MXR, ligados em loop. Sua guitarra foi feita exclusivamente para ele, privilegiando o peso, o ataque e o sustain. Usa cordas calibre 0.11 e captadores EMG ativos 81 e 89 (os mesmos de Zakk Wilde). Douglas mostrou muita desenvoltura conversando com o público, e uma competência musical muito acima da média empunhando sua guitarra, executando riffs pesados e solos rápidos e precisos. Com certeza, foi uma excelente forma de iniciar os trabalhos da noite.

Depois de uma pequena pausa, o momento esperado por todos chegou: Marty Friedman sobre ao palco. Munido apenas de sua Gibson Les Paul e de um ampli Marshall (não conseguimos identificar qual modelo), ele mostrou porque é um dos mais influentes guitarristas de metal de todos os tempos. Além de ser um excelente músico, com uma musicalidade e um feeling impressionantes, também é uma pessoa super gente boa. Daqueles que gostam de um bom papo, brincadeiras e conversa fiada. Falou sobre tudo, respondeu à todas as perguntas, arriscou algumas palavras em português (a maioria delas palavrões rsrs) e provou que, para ser um músico bem sucedido e admirado por todos, primeiramente deve ser humilde e disponível para todos. Simplicidade, humildade e simpatia teve de sobra nesse evento, além claro, de excelentes músicas perfeitamente tocadas.

Como foi um workshow, entre uma música e outra tiveram algumas rodadas de perguntas. Vou transcrever abaixo as principais respostas, onde vai ser possível conhecer um pouco mais de quem é Marty Friedman. Algumas respostas são surpreendentes. Vamos aos hilights da noite:

 

– Marty Friedman começou a tocar guitarra com 14 anos de idade, mas quase nunca praticou ou estudou profundamente o instrumento. Ele sempre preferiu tocar em banda, pois é muito melhor tocar com outras pessoas. A evolução é mais rápida e você sempre tem estímulo para melhorar.

– Suas principais influências quando começou foram o Kiss e o Ramones, e seus respectivos guitarristas.

– Atualmente ele não ouve rock, prefere ouvir música atual japonesa de vários estilos (pop, rock, tradicional). Recomenda ouvir o trabalho da banda japonesa Maximum the Hormone. Ele escolheu morar no Japão há mais de 10 anos.

– Neste último álbum ele trabalhou novamente com Jason Becker, seu parceiro dos tempos do Cacophony. Disse que trabalhar com Jason foi igual à antigamente, mesma forma de compor e produzir o trabalho. O último disco do Marty Friedman acabou soando como um Cacophony moderno.

– Ele escolheu morar no Japão pois ele só ouvia música japonesa. Não gostava de mais nada do que tocava nas rádios americanas. E como ele só ouvia música japonesa, achou melhor morar onde pudesse ficar mais perto das músicas que ele gosta. Ele diz gostar de tudo o que toca nas rádios japonesas. Por conta disso, ele acabou incorporando um pouco do estilo oriental de tocar e fazer música.

– O artista brasileiro que mais conhece é Sergio Mendez, pois seu pai ouvia muito seus discos em casa quando era criança.

– Depois de Kiss e Ramones, suas principais influências também foram Frank Marino e Uli Jon Roth.

– Sobre o boate que surgiu nos últimos dias de o Kiko Loureiro se tornar o novo guitarrista do Megadeth, Marty Friedman acha fantástico, pois considera o Kiko um excelente guitarrista.

– Ele não ouve mais músicas do Megadeth desde que saiu da banda. Além de música japonesa, das novas bandas de metal moderno, ele gosta de Sky Harbor e Periphery.

– Ainda falando sobre o boato do Kiko Loureiro entrar no Megadeth, ele diz que em todo país que ele vai, sempre surge um boato que tem algum guitarrista local que vai tocar no Megadeth. Ele acha isso engraçado, mas se for verdade o boato sobre o Kiko, vai achar sensacional. Pra falar a verdade, ele não sabia desse boato sobre o Kiko entrar na banda até a plateia comentar com ele durante as perguntas.

– Se ele pudesse escolher com qual artista tocar, Marty gostaria de ter tocado com Elvis Presley.

– Sua experiência de vida é que define o tipo de música, fraseado e sons que ele toca. Cada álbum é o retrato de um determinado período de sua vida.

– Ele sempre anota palavras e nomes que soam bem, e quando termina de gravar um álbum, ele escolhe o nome de acordo com a música, baseado na lista de vários nomes que ele vai juntando ao longo do tempo.

– Em um momento de extrema humildade, quando perguntado sobre técnicas de guitarra e sua maneira particular de tocar, ele diz que “não toca guitarra direito”, e que ele não faz nada do que outros guitarristas fazem. Ele não acha que as técnicas de guitarra são ruins, apenas acha que não é bom executando essas técnicas. Sendo assim, tudo o que sobra além das técnicas é o conteúdo, o sentimento, a música.

– Quando começou a tocar, fez 6 meses de aulas com um professor mas logo abandonou, porque ele queria tocar punk e rock, e o professor queria apenas ensinar as músicas tocadas no Woodstock.

– O principal motivo de sua saída do Megadeth foi porque considerou que 10 anos é tempo suficiente para ele na banda, e que também queria fazer coisas novas. Ele ainda mantém amizade e contato com Dave Mustaine.

– Ele não diz que nunca vai voltar ao Megadeth, mas fala para as pessoas não apostarem nisso agora, não é o seu plano no momento.

– Marty diz não ligar a mínima sobre o que as pessoas vão achar sobre algum álbum. Se algum músico ou banda se importar com isso, ele está no mercado errado. Ele apenas vai e grava o que tem vontade. Ainda afirma que a repercussão do álbum Risk não teve nada a ver com a sua saída do Megadeth.

– Tocar no Rock in Rio em 1991 é a melhor lembrança de turnê que ele tem e diz que adoraria poder tocar de novo no festival. Ele contou que a banda tinha somente 1 hora para tocar, então eles tentaram tocar o máximo de músicas que puderam nesse intervalo de tempo, ficando quase que uma versão “Ramones” do Megadeth.

– Ele gostou de todos os álbuns que gravou com o Megadeth, mas seus preferidos são Rust in Piece e Countdown to Extinction.

– Marty afirma que gosta da nova geração de metal, pois sempre tem gente nova ouvindo e consumindo o estilo, sempre tem boas bandas novas surgindo. Isso faz com que o estilo nunca morra.

– Quando vai compor, começa geralmente pela melodia e às vezes com uma progressão de acordes que surge em sua cabeça. A partir daí ele vai desenvolvendo as composições, que quase sempre acabam tomando outro caminho do que o pensado inicialmente.

– Para gravar seus solos, normalmente ele acaba escolhendo o primeiro ou o segundo take de gravação, pois considera ser o melhor em termos de espontaneidade. Não costuma gravar muitos takes para cada solo. Uma excessão foi o solo da música Time to Say Goodbay, do seu álbum Bad DNA. Para o solo dessa música, ele gravou impressionantes 150 takes!

– Em mais um momento de simpatia, ele ainda teve a presença de espírito de responder à “pior pergunta da noite”, que rendeu ao autor uma camiseta do próprio guitarrista: como ele faz para manter o mesmo visual depois de 30 anos, e como ele cuida de seus cabelos. Depois de um ataque de risos coletivo, ele diz que o segredo da juventude são as “gatinhas” e as “gostosas”. E sobre seu cabelo, basta cuidar bem dele.

 

Para finalizar sua apresentação, ele executou uma versão própria para a música Amazing Grace, que nunca chegou a ser lançada por ele em nenhum álbum.

Depois de finalizado o show, ele ainda ficou disponível para tirar fotos e dar autógrafos para o pessoal que adquiriu o “Meet and Greet”. Teve muito marmanjo ficando emocionado ao se lado. Apesar de seu tamanho, sua simpatia, humildade e musicalidade são enormes. (confira aqui algumas fotos do show)

Veja também alguns vídeos que fizemos tanto do Douglas Jen quanto do Marty Friedman.

Se ele ainda vai passar pela sua cidade ou região, vale a pena assistir. Não é todo dia que temos a oportunidade de assistir um músico dessa qualidade.

Agradecimento especial à Furia Music por ter viabilizado essa turnê no Brasil, e à Arte Nobre Eventos, de Araraquara/SP, por ter trazido uma data da turnê em uma região dominada predominantemente por estilos musicais como sertanejo universitário e funk. Sigam na luta, pois no final sempre vale a pena.

 

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